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Operação da Polícia Civil desmantela quadrilha que montou “Mensalinho” em prefeitura

19 de abril de 2018 às 21:45

Nove pessoas de uma quadrilha foram presas suspeitas de envolvimento num esquema de desvio de dinheiro montado dentro da prefeitura da cidade de Luiziana, município da região Centro-Oeste do estado, com cerca de 7.500 habitantes.

Entre os detidos está o procurador jurídico de Luiziana, Thiago Slongo, que é sobrinho do prefeito. Ele é apontado pela polícia como chefe do esquema criminoso.

A “Operação Talha” foi deflagrada nesta quarta-feira (18) pelo Núcleo de Combate a Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil do Paraná.

A investigação começou há um ano depois que o Nurce recebeu uma representação da Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público Estadual.

As provas coletadas durante a investigação revelam que alguns servidores públicos eram obrigados a devolver parte de seu salário para um caixa 2, visando financiar a reeleição do atual prefeito. Uma espécie de “Mensalinho”. O prefeito de Luiziana, porém, não é alvo de nenhuma medida judicial.

“O combate à corrupção é uma das principais diretrizes do trabalho das polícias do Paraná. É necessária uma investigação profunda e isenta para chegar aos responsáveis pelo desvio de recursos públicos que acaba por prejudicar a população paranaense”, disse o secretário da Segurança Pública do Paraná Júlio Reis.

O delegado titular do Nurce, Renato Figueroa, explicou como funcionava o esquema. “Alguns funcionários, comissionados ou concursados, recabiam gratificações do prefeito, porém o acordo seria que estes servidores eram obrigados a devolver parte do salário para o procurador jurídico. Segundo testemunhas, este dinheiro foi usado num esquema de caixa 2 de reeleição do atual prefeito.

E embora ele não tenha sido alvo de nenhuma medida judicial, o prefeito é sim investigado nos fatos”, disse o delegado. “Por isso que os mandados foram expedidos pela 2º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, por conta do foro privilegiado”, completou.

O esquema era operado por Thiago Slongo, sobrinho do prefeito. De entregador de leite na cidade, ele se tornou Procurador Jurídico do Município.

Ainda foram presos um ex-chefe de gabinete do prefeito, ex-secretário de saúde, além de diretores e assessores da prefeitura.

Com eles, os policiais apreenderam celulares, computadores, agendas, extratos bancários e documentos da prefeitura relacionados a gratificação de servidores públicos municipais.

Duas armas foram encontradas na casa de Thiago Slongo, mas como elas estavam devidamente registradas elas foram restituídas ao proprietário.

Com base em relatos e confissões de alguns envolvidos, foi pedido o afastamento do sigilo bancário dos servidores suspeitos, sendo elaborado um relatório por parte do Laboratório de Lavagem de dinheiro da Policia Civil. A análise das contas bancárias mostrou indícios do esquema operado entre 2013/2016.

Entre eles, saques ocorridos em até sete dias após o recebimento dos salários, sendo constatado um padrão nos saques de alguns servidores, com retiradas idênticas, num determinado período do mês, ficando nestes casos, bem evidente a participação nos fatos investigados.

Os servidores investigados também tiveram gratificações incorporadas aos seus respectivos salários, num determinado período do primeiro mandato.

Além disso, dos oito funcionários citados, sete deles contraíram empréstimos pessoais no período, com desconto em folha de pagamento, sendo estes usualmente utilizados para ‘’maquiar’’ repasses salariais como no caso aqui investigado.

Todos as pessoas ouvidas manifestaram o receio em se identificar, pois em outubro de 2016 ocorreu o assassinato do Secretário da Fazenda do Município, Lindolfo Angelo Cardoso, tido como partícipe do esquema envolvendo caixa 2 na Prefeitura, sendo fortes os indícios de que o motivo estaria relacionado a um dos crimes aqui investigados.

Talha – O nome da operação se refere ao tributo ou parte da produção paga pelos vassalos ao senhor feudal.