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Pornografia vicia tanto quanto drogas, afirma delegada em palestra na Assembleia Legislativa

15 de março de 2019 às 17:21
Segundo a delegada, a pornografia está entrando na vida de crianças e adolescentes de forma silenciosa e, cada vez mais, violenta. “São fotos, vídeos... que tem cenas de sexo anal, estupro coletivo, pedofilia, incesto... aberrações e tudo isso que a criança e/ou adolescente consegue encontrar na Internet, nas redes sociais de forma gratuita e o efeito pode ser devastador: pode acabar com vida de crianças e adolescentes”, afirmou.

A Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência (Criai), presidida pelo deputado estadual Cobra Repórter (PSD), realizou a primeira reunião  esta semana quando apresentou o Plano de Ação e o Regime de Metas da Criai em 2019.  Durante o evento, a ex-delegada do Nucria e, atualmente, delegada do 12º DP de Curitiba, Aline Manzatto, falou sobre os efeitos da Pornografia no cérebro de crianças e adolescentes.

Segundo a delegada, a pornografia está entrando na vida de crianças e adolescentes de forma silenciosa e, cada vez mais, violenta. “São fotos, vídeos… que tem cenas de sexo anal, estupro coletivo, pedofilia, incesto… aberrações e tudo isso que a criança e/ou adolescente consegue encontrar na Internet, nas redes sociais de forma gratuita e o efeito pode ser devastador: pode acabar com vida de crianças e adolescentes”, afirmou.

De acordo com a delegada, as estatísticas mostram que os principais consumidores de pornografia são crianças e adolescentes de 12 a 17 anos, sendo que 90% dos meninos acima dos 12 anos vêem pornografia pela internet. A delegada explicou as consequências disso: “Nos meninos, podem ter dois efeitos: causar medo excessivo dos mais inseguros sexualmente uma vez que não tem a mesma desenvoltura encontrada nos vídeos, se retraindo e causando uma situação de disfunção erétil já na fase dos 19/20 anos. Já os mais confiantes imitam o que vêem nos vídeos que é o abuso excessivo, o sexo violento… tornando-se potenciais agressores”.

Quanto às meninas, ela explica que se sentem fisicamente inferiorizadas, porque não conseguem estar à altura dos corpos perfeitos das atrizes dos vídeos pornográficos. Para se tornarem atraentes, alteram as formas de agir, vestir… A delegada explica que, desta forma,  as garotas permitem fazer vídeos e “nudes”. “E, quando exposta por uma quantidade maior de pessoas através da disseminação do conteúdo impróprio delas pela Internet, isso causa transtornos emocionais, alimentares, isolamento e, até mesmo suicídios”, afirmou.

Ela contou que esteve à frente do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes de 2013 a 2016. Em 2015, disse que percebeu um aumento significativo da violência sexual contra crianças e adolescentes e no número de casos de pedofilia. Foi aí que resolveu fazer um estudo de artigos e sites relacionados ao tema. Em sua pesquisa, a delegada conta que estudou os efeitos do consumo da pornografia no cérebro. “Através de ressonâncias magnéticas, foi constatado que há um aumento da atividade cerebral na área da recompensa que se equivale às pessoas que são viciadas em drogas como cocaína e heroína. A pornografia é viciante, é vista como a droga do século XXI”, disse Aline Manzatto.

A delegada conclui que esse cenário pode explicar o aumento da pedofilia, estupros, violência contra a mulher e, por fim, o feminicídio. “Com isso, uma sugestão para a Criai: que haja intervenção urgente sobre os efeitos da pornografia. Uma abordagem sexual para que sejam avisados dos malefícios e periculosidade que a pornografia é atualmente” disse Aline Manzatto.

O deputado Cobra Repórter disse que “são dados assustadores, que chocam, e temos a obrigação de fiscalizar, trabalhar para combater essa triste realidade”.  A Criai é formada por sete integrantes: o presidente deputado Cobra Repórter, a vice-presidente deputada Cantora Mara Lima, os deputados Alexandre Amaro, Luciana Rafagnin, Marcio Pacheco, Subtenente Everton e Luiz Carlos Martins.