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Análise encontra agrotóxicos na água consumida pelos paranaenses

6 de maio de 2019 às 08:47
Em 326 dos 399 municípios paranaenses foram detectadas as 27 variedades de pesticidas testadas, incluindo a capital Curitiba. E em 28 cidades pelo menos um agrotóxico estava acima do limite permitido, casos de Araucária, Guaratuba, Paranaguá e São José dos Pinhais, por exemplo.

Água que sai das torneiras do Paraná contém agrotóxicos; medição gera contestação.
Uma mistura de diferentes agrotóxicos está presente na água que sai da torneira de mais de 90% das cidades do Paraná.

A combinação foi detectada em coletas e análises realizadas por empresas de abastecimento do estado entre 2014 e 2017 e que integram relatórios do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) do Ministério da Saúde.

Em 326 dos 399 municípios paranaenses foram detectadas as 27 variedades de pesticidas testadas, incluindo a capital Curitiba.

E em 28 cidades pelo menos um agrotóxico estava acima do limite permitido, casos de Araucária, Guaratuba, Paranaguá e São José dos Pinhais, por exemplo.

O Paraná só não apresenta um cenário pior que São Paulo, onde 504 cidades apresentaram todos os agrotóxicos analisados. Na proporção, entretanto, o caso paranaense é mais substancial.

Por lei, as companhias de abastecimento de todo o país são obrigadas a verificar periodicamente a presença de 27 tipos de pesticidas na água que circula na rede de distribuição – no Rio Grande do Sul são testados 46 agrotóxicos.

Entre os pesticidas estão 16 que são classificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como altamente ou extremamente tóxicos. Os 11 restantes estão associados ao desenvolvimento de problemas de saúde, como câncer, disfunção endócrina e malformação fetal, de acordo com agências ambientais e de saúde dos Estados Unidos e da União Europeia.

Nove pesticidas da lista são proibidos no Brasil, mas mesmo assim constam nos dados do Sisagua. A situação seria considerada mais crítica caso os parâmetros usados fossem os mesmos da União Europeia, que recentemente atualizou a regulação do uso de agrotóxicos. Além dos 11 já proibidos por aqui, outros sete são barrados na Europa.

Entre os permitidos, o limite de contaminação é abissal. Enquanto por lá o máximo permitido de substâncias é de 0,1 micrograma por litro, no Brasil há defensivos que podem aparecer na água a 500 microgramas por litro. É o caso do glifosato, o agrotóxico mais vendido no país, e que está em processo de reavaliação toxicológica pela Anvisa – o parecer atual é de que não há evidências de que a substância cause câncer.

Pelos dados do Sisagua, apesar da detecção de 27 substâncias diferentes em Curitiba, todas estão dentro dos limites brasileiros. Se os critérios europeus fossem usados no Brasil, 19 agrotóxicos presentes na água da capital paranaense estariam acima do nível permitido.

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