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Cirurgia rara de cotovelo devolve movimento a paciente

17 de julho de 2019 às 22:32
Foi a primeira vez que esse tipo de cirurgia foi realizado no CHR  devido ao alto nível de especialização médica e materiais exigidos.

Depois de ficar cerca de três anos com graves limitações nos movimentos  do

cotovelo esquerdo, provocado por uma luxação crônica, hoje Maikon Teixeira da Costa, de 31 anos, já se permite pentear os cabelos e levar a mão à boca.

Maikon Costa  foi submetido a uma cirurgia no cotovelo, considerada rara e complexa. O procedimento foi realizado pela equipe da ortopedia cirúrgica do Centro Hospitalar de Reabilitação, em Curitiba. O hospital atende 100% pelo  SUS e, recentemente, passou a integrar o Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT) que, por sua vez, faz parte da Rede de Unidades Próprias do Estado do Paraná.

Foi a primeira vez que esse tipo de cirurgia foi realizado no CHR  devido ao

alto nível de especialização médica e materiais exigidos. Uma outra condição

especial possibilitou o procedimento – a diretoria do hospital com apoio da

SESA providenciou o material de órtese necessário – um fixador externo articulado de cotovelo para ser colocado no braço do paciente.

Luxação – A luxação é o deslocamento de um ou mais ossos de uma

articulação e acontece quando uma força atua direta ou indiretamente sobre

nosso corpo. Em termos clínicos, é definida como perda do contato articular,

isto é, a separação de uma articulação que é composta por duas superfícies articulares.

“Os casos de luxação de cotovelo são recebidos e tratados na emergência

médica, pois normalmente  provém de uma queda ou acidente com

traumatismo, lesão congenital ou frouxidão de ligamentos gerada por doenças

crônicas. Ao longo do tempo a luxação crônica pode evoluir para artrose

e  rigidez articular”, explica o médico Douglas Schumann, responsável pela cirurgia.

O cirurgião explicou que – “quando o cotovelo luxado não é tratado em

até 3 meses, a complexidade do tratamento aumenta, exigindo procedimento cirúrgico aberto”, como no caso de Maikon que sofreu uma queda em uma partida de futebol e não passou por cuidados adequados no início da lesão.

A cirurgia exigiu a colocação do fixador, reconstrução de ligamentos  do cotovelo; retirada de osteófitos – formações ósseas anormais que se formaram  devido ao tempo da lesão; redução das articulações e colocação dos ossos no lugar, e ainda  colocação do fixador externo articulado para proteção do reparo dos ligamentos. “ Maikon já não conseguia mais fazer as atividades simples que exigissem flexão do cotovelo, como realizar higiene pessoal, pentear os cabelos, pegar objetos, levar alimentos à boca. A musculatura da mão esquerda estava hipotrofiada por falta de uso, em conseqüência da restrição da mobilidade do cotovelo O caso dele já estava conduzindo a atrofia”, complementa o médico.

Conduta clínica – Após a primeira avaliação médica,  o procedimento já foi indicado. “Tivemos muita cautela na análise devido a complexidade do caso. A colocação do fixador permitiu que  o paciente já mexesse o cotovelo no pós operatório. Sem o equipamento, o cotovelo precisaria ficar imobilizado depois da cirurgia, correndo o risco de provocar rigidez na articulação”, disse Douglas Schumann.

No décimo dia do pós cirúrgico o paciente conseguiu movimentar o braço, o que foi considerado uma grande conquista na área da cirurgia ortopédica.

Um mês após a cirurgia, sendo submetido à fisioterapia específica, Maikon fazia flexão e extensão do cotovelo com o fixador externo e, depois de 4 meses,  já levava a mãos à cabeça e à boca.

Maikon Costa relata hoje que melhorou muito a movimentação do braço. “Foi uma  grande ajuda, pois meu dia a dia estava limitado, estou bem satisfeito com a cirurgia e me esforçando na recuperação”, disse.

Segundo o cirurgião Douglas Schumann, a fisioterapia seguirá até agosto, buscando uma amplitude ainda maior dos movimentos.

Integração – “A divulgação deste tratamento de excelência feito em um hospital público é super importante, pois assim podemos destacar a ação do corpo clínico e direção da CHR, que integra o Complexo do Hospitalar do Trabalhador”, afirma o diretor geral do Complexo Hospitalar do Trabalhador, Geci Labres de Souza.

Segundo o diretor geral do CHT, “casos complexos como deste relato exigem equipes médicas diferenciadas e experientes, equipamentos especiais e serviços de fisioterapia e terapia ocupacional específicos, no entanto, todo este esforço para obter um bom resultado sempre vale a pena, pois resgata a qualidade de vida destes pacientes”.