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Faleceu na manhã de hoje (26), o prudentopolitano Jauri Conrado Rodrigues

26 de agosto de 2019 às 23:16
O Militar prudentopolitano, juntamente com todos os soldados dos países que fizeram parte de missão de paz enviada à faixa de Gaza entre 1957 e 1967, foram contemplados com o Nobel da Paz de 1988.

Foto: Reprodução redes sociais.

Jauri Conrado Rodrigues, militar brasileiro que fez parte do Batalhão de Suez, formado por brasileiros que foram designados para ajudar a garantir a paz na faixa de Gaza, foi encontrado já sem vida em seu apartamento em Curitiba, segundo o médico que atestou sua morte, o mesmo veio à óbito após sofrer um infarto.

O Batalhão de Suez foi criado para fazer parte da “Força de Emergência das Nações Unidas” em virtude de um sério risco de confronto nuclear na região do canal de Suez, milhares de jovens brasileiros foram enviados à Faixa de Gaza nas décadas de 50 e 60 com o objetivo de pacificar o local. E Jauri estava entre eles.

Foto: Reprodução redes sociais.

A UNEF – (United Nations Emergence Force) ou “Força de Emergência das Nações Unidas”, cuja a qual o Batalhão de Suez fez parte, foi criada para garantir o cessar fogo e evitar nova guerra entre árabes e israelitas, e assim manter a paz no Oriente Médio, cujo conflito – final do ano de 1956 – ameaçava a paz mundial, devido às tensões em tempos de “guerra fria”. E o epicentro das atenções era a ameaça de interceptação do Canal de Suez. A chamada Força Internacional de Paz, inicialmente composta por 10 países (Brasil – Canadá – Colômbia- Dinamarca – Finlândia – Índia – Indonésia – Iugoslávia – Noruega – e Suécia) , instalou-se na Faixa de Gaza, criando uma zona neutra e estabelecendo a Linha de Demarcação de Armistício, que nada mais era do que a divisa física entre Egito e Israel.

A inclusão do 111/2ºRI (Batalhão Suez) como unidade do Exército, foi ratificada por decreto legislativo federal, em 22 de novembro de 1.956, ocasião em que se deu a criação do 1º Contingente militar integrante da UNEF, e que teria período de adestramento no campo de instruções do então 2º Regi­mento de Infantaria, subordinado 1ºAuditoria de Guerra do Exército.

O efetivo do Batalhão Brasileiro compunha-se de oficiais e praças do Exército Brasileiro, que para incorporar-se à nova Unidade do Exército, eram rigorosamente selecionados, ter boa qualificação e conduta moral, com especial atenção ao estado físico de cada elemento, como altura e peso compatível e submetido a vários exames médicos e aplicação de várias vacinas para imunizações etc.

O primei­ro contingente brasileiro, chegou em terras egípcias em Port Said, a 4 de fevereiro de 1957, sob comando do coronel Iracïlio Ivo De Figueiredo Pessoa, hoje general da reserva, o seu subcomandante foi o major Afonso Celso Boldstain, a tropa viajou a bordo do navio TrT Custódio de Melo da Marinha de Guerra do Brasil, tendo o capitão de mar e guerra Arnoldo Toscano, comandante do navio.

Os boinas azuis tiveram um final dramático na missão, contudo, foi dramático. Em 1967 ocorreu a Guerra dos Seis Dias. Israel teria solicitado a retirada das tropas da ONU e na sequencia invadiu o Egito. Mesmo tendo negado que retomaria a guerra, Israel foi o primeiro a atacar. Bastou poucas horas, para que aviões israelenses destruíssem o Egito e a Síria sem sequer desse tempo de um único jato árabe decolar. Por fim, o Egito perdeu a Faixa de Gaza e o deserto do Sinai. Já a Síria ficou sem as colinas de Golã.

Devido à falhas de comunicação e a demora da ONU em tomar decisão geraram-se desentendimentos quanto à retirada das tropas brasileiras. O Batalhão Suez por consequência ficou no meio desse fogo cruzado. Por dois dias eles tiveram que rastejar pelo chão para que não fossem atingidos. No episódio, um cabo brasileiro morreu vítima de disparo.

Jauri, juntamente com os demais soldados que fizeram parte da “Força de Emergência das Nações Unidas”, foram agraciados com o Nobel da Paz de 1988, sendo que todos receberam um diploma de Nobel da Paz, cujo o qual o prudentopolitano exibia orgulhoso de ter feito parte.

Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

Familiares e amigos despediram-se nas redes sociais, dentre eles Jordan K Torres , com este singelo vídeo:

JAURI CONRADO RODRIGUES – 1937 † 2019

Hoje fiquei sabendo através da página do Museu Do Expedicionário o falecimento do grande amigo e patriota, seu Jauri.Então decidi fazer esse pequeno e simples vídeo com sua imagem que ficou gravada em minha mente.Um homem honrado e sorridente, com sua boina azul na cabeça e a bandeira acima de tudo.Descance em paz.

Publicado por Jordan K Torres em Segunda-feira, 26 de agosto de 2019

A cerimônia para o Sr. Jauri está sendo na PIB – Primeira Igreja Batista. Rua Bento Viana 1200, esquina com Av. Batel. O culto foi às 20 horas de hoje (26).
Amanhã às 06 horas seu corpo seguirá para Imbituva, onde será o sepultado.

Com informações de: Gazeta do Povo e Batalhão de Suez.