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Calçamento leva prosperidade para comunidade de Prudentópolis

20 de julho de 2020 às 11:59
Trecho de 6,31 quilômetros liga a comunidade de Ponte Alta, na interseção com a BR-277, até a sede do distrito de Patos Velhos. Investimento do Estado de R$ 1,7 milhão está dentro de um pacote de R$ 46 milhões em pavimentação rural.

Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Quase mil moradores de Prudentópolis, na região Centro-Sul do Estado, serão beneficiados ainda neste mês com uma pavimentação poliédrica com pedras irregulares em um trecho de 6,31 quilômetros por seis metros de largura que liga a comunidade de Ponte Alta, na interseção com a BR-277, até a sede do distrito de Patos Velhos.

A estrada faz parte do Programa de Estradas Rurais Integradas aos Princípios Conservacionistas (Estradas da Integração), criado pela Secretaria de Agricultura e do Abastecimento para melhorar a trafegabilidade na zona rural dos municípios e facilitar o escoamento da produção do campo.

Os trabalhos começaram há 100 dias e estão sendo executados em bom ritmo. As obras envolvem alargamento da pista, terraplanagem, sistema de drenagem, nivelamento da área perto de uma pequena ponte, e instalação definitiva das pedras onde antes havia apenas cascalho. A intervenção já está 95% pronta e o último trecho deve ser entregue até o fim de julho.

“Este projeto oferece melhores condições de trafegabilidade aos produtores rurais das regiões beneficiadas, favorecendo o escoamento da produção agropecuária e o transporte escolar, além de gerar mão-de-obra na pavimentação”, afirma Arthur Bittencourt Filho, chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento em Guarapuava.

Com melhor acesso, acrescenta, os agricultores vão obter preços melhores nas atividades agropecuárias, podendo, inclusive, incrementar a produção. O investimento do Governo do Estado é de R$ 1,7 milhão, com contrapartida financeira municipal de R$ 129,4 mil, e está dentro de um pacote de R$ 46 milhões em pavimentação rural.

“O Paraná tem uma vocação ligada ao agronegócio e possui diversas comunidades muito interioranas, mas que são fundamentais para a geração de emprego e renda nos municípios. Prudentópolis fica em uma região que ainda tem um potencial enorme de investimentos e precisa de mais infraestrutura para crescer”, complementa Bittencourt.

PRUDENTÓPOLIS – Dados divulgados no começo de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam quatro municípios da região dos Campos Gerais entre os 100 maiores do Brasil no ranking do Valor Adicionado Bruto da Agropecuária. O líder regional é Castro (R$ 531,7 milhões em 2017 – 41º do Brasil), seguido por Tibagi (R$ 455,6 milhões), Palmeira (R$ 425,7 milhões) e Prudentópolis (R$ 381,5 milhões).

Somados os VABs dos 26 municípios da região, foram gerados R$ 5,6 bilhões. A maior parte deles, 16, registrou incremento na comparação com 2016. Ocuparam no ranking posições melhores do que os municípios deste planalto apenas Toledo, com R$ 560,4 milhões, e Cascavel, com R$ 555,1 milhões, na região Oeste.

A agricultura representa cerca de 53% da receita do município. É uma região produtora de soja e milho, as principais commodities do Estado. Prudentópolis também figura como um dos principais produtores de feijão (R$ 49 milhões de Valor Bruto de Produção em 2018) e fumo (R$ 108 milhões), segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).

O município tem torno de 8 mil pequenos agricultores e 7 mil quilômetros de estradas rurais, com 26,3 mil habitantes fora da zona urbana.

“Prudentópolis é a quinta maior cidade em extensão, com uma rede de estradas e vias de importante ligação às localidades rurais. Elas possibilitam o escoamento da nossa produção agrícola”, afirma a secretária municipal de Agricultura, Dayanne Louise. “Essa pavimentação traz proveitos para a localidade diretamente beneficiada, e também para as localidade vizinhas, que estão sob influência da mesma via de acesso”.

IMPACTO – Um dos beneficiados com a pavimentação será Nestor Machulek, proprietário da fábrica de embutidos e produtos coloniais que leva o sobrenome da família. “Pleiteamos essa estrada desde 2013, pelo menos. É um eixo que leva até a BR-277 e que conecta melhor o distrito ao Centro de Prudentópolis. É uma estrada que chegou a ser cascalhada há uns 15 anos, mas não aguentava mais o tráfego pesado de caminhões que buscam soja, leite, trigo e fumo com os produtores rurais”, destaca.

Marcos Machulek, irmão de Nestor, sócio da empreitada, conta que a estrada, que existe há 40 anos, chegou a ser intransitável em alguns períodos, principalmente nos anos 1990.

“Essa via atende a comunidade de Patos Velhos, mas também Água Fria, Vila Nova, Linha Matão. A produção agrícola da região vem aumentando nos últimos anos, são mais áreas plantadas com soja, trigo e fumo. E o acesso rudimentar não tinha acompanhado esse desenvolvimento”, conta. “Agora é outra história. A nova estrada diminui a manutenção, acaba com os atoleiros e com o solo liso”.

Ele conta que a estrada também vai facilitar a expansão da empresa, movimento que pode ser acompanhado pelos outros produtores rurais. “Estávamos esperando essa melhoria. Produzir com acesso ruim impossibilita qualquer negócio. Temos uma planta de 600 metros quadrados de ampliação, vamos produzir para todo o País”, afirma Marcos. “Chegamos a cogitar uma migração da produção para a beira da BR-277. Mas, com a estrada, ano que vem começamos uma ampliação no local onde estamos e empregamos os moradores”.

Outra melhoria é para o trânsito escolar, que passa pelo menos três vezes por dia por esse trecho de 6,3 quilômetros para possibilitar acesso das crianças das áreas rurais às escolas, além do percurso facilitado ao Centro de Prudentópolis, distante cerca de 30 minutos.

“Temos ainda uma grande malha rodoviária, geralmente municipal, não pavimentada. Vias que diariamente têm grande circulação de insumos, sementes, fertilizantes, calcário, ração. Uma estrada ruim significa custo maior para a agricultura. A pavimentação permite comodidade, melhores preços e uma competitividade maior”, ressalta o secretário de Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.

Fonte: AENPR