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Novas casas e regularização transformam a vida de famílias em Cantagalo

20 de julho de 2020 às 13:40
Programa Nossa Gente leva tranquilidade para 119 famílias da Vila Chimin, área de ocupação que passa por total revitalização, incluindo a construção dos novos imóveis, infraestrutura e urbanização. Investimento do Governo do Estado é de R$ 10,8 milhões.

Foto: Gilson Abreu

Com um sorriso largo no rosto, a dona de casa Silvana Aparecida dos Santos Teixeira sai apontando para as casas no meio do imenso canteiro de obras que mudou a paisagem de Cantagalo, na Região Centro-Sul do Paraná. “Eu vou morar aqui, meu filho do lado e minha irmã logo ali”, avisou, empolgada com a construção que ganha forma com velocidade.

Silvana, o marido e o filho são uma das 119 famílias beneficiadas com a casa própria na cidade. Tudo regularizado graças a uma parceria entre a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho e a prefeitura do município, dentro do programa Nossa Gente.

São 115 novas moradias e mais quatro reformas. O investimento por parte do Governo do Estado é de R$ R$ 10,8 milhões. A previsão é que as construções sejam entregues até o fim de outubro.

“É uma iniciativa social do Estado para atender as famílias paranaenses. Nosso compromisso é ajudar as pessoas que sonham com a casa própria”, afirmou o governador Carlos Massa Ratinho Junior. “É todo um pacote com um olhar social para melhorar a vida das pessoas que mais precisam”, acrescentou.

A alegria da dona de casa tem explicação. Desde 2012 que os moradores da Vila Chimin ouvem histórias de que a ocupação encravada em um ponto importante de Cantagalo deveria conquistar a almejada identidade oficial. Da promessa para a realidade, porém, passaram-se anos. Somente em 2019, por decisão do governador Ratinho Junior, é que o projeto ganhou corpo.

A administração municipal cedeu o terreno para o Estado que, através da Cohapar, deu início à transformação da antiga invasão. Antes, contudo, foi preciso convencer os moradores que de fato a obra sairia do papel. Foi aí que entrou a Secretaria da Justiça.

APOIO SOCIAL – Por meio de assistentes sociais do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), os moradores tiveram apoio psicológico e emocional. E um aluguel social de R$ 480 por mês para garantir um teto enquanto as casas antigas fossem demolidas e a ocupação ganhasse cara nova. Pacote que permitiu ao grupo dar mais um voto de confiança para o Poder Público.

“O projeto de Cantagalo é diferente porque a ideia foi manter as pessoas no mesmo lugar, desmanchando casas precárias para construir tudo novo no lugar, com infraestrutura e urbanização adequadas”, explicou o presidente da Cohapar, Jorge Lange. “O aluguel social serviu como referência. Eles passaram a confiar que desta vez a obra seria feita”, acrescentou.

Lange conta que apenas quatro famílias não aceitaram o acordo, escolhendo manter as antigas residências. Neste caso, a companhia optou por reformar as unidades. “Com uma casa nova e terreno regularizado você tira a pessoa do anonimato e a devolve à condição de cidadão. E ali, por ser o mesmo local, os laços afetivos serão mantidos”, destacou.

EMPOLGAÇÃO – Ambiente que deixa a dona de casa Edilmara Santos da Luz empolgada. Ela vai morar com o marido e dois filhos em uma das 78 unidades habitacionais de 42 metros quadrados que estão sendo erguidas. O projeto prevê ainda mais 30 construções de 50 metros quadrados, uma de 60 metros quadrados e outras seis, de 49 metros quadrados para pessoas com algum tipo de deficiência.

“A vontade é de voltar logo para a vila. A qualidade de vida será maior agora, com mais espaço para as crianças brincarem”, diz. “Poderemos arrumar a casa sem ficar com medo de que vai aparecer alguém aqui e nos expulsar no terreno”, disse Edilmara.

Além da infraestrutura urbana, com ligação elétrica, saneamento, água tratada e asfalto, a nova Vila Chimin vai ganhar um parque público com equipamentos comunitários. Área de lazer com academia, playground e pista de corrida que faz brilhar os olhos da criançada. “Tudo isso fará uma diferença muito grande na minha vida”, ressalta a dona de casa Tereza de Oliveira.

PROGRAMA – De acordo com os critérios do programa Nossa Gente, os moradores cadastrados deverão permanecer por pelo menos dez anos nos imóveis novos. Nesse período o município fará o acompanhamento social das famílias, inclusive em relação ao acesso das crianças ao ensino regular. Apenas depois desse tempo elas receberão as escrituras definitivas e poderão vender ou alugar o imóvel.

Durante todo o processo de cadastramento e inclusão no aluguel social foi montado um comitê com moradores e integrantes da prefeitura de Cantagalo e do Governo do Estado. “É uma revolução na vida dessas pessoas. A maioria ali não teria condição de investir na construção de uma moradia digna”, diz Jair Rocha da Silva, prefeito de Cantagalo.

Também foi montado um grupo de WhatsApp no qual os familiares são monitorados pelas equipes de assistência social. “Todos estão muito ansiosos para voltar. Hoje, como estão espalhados pela cidade pagando aluguel, perderam a referência de comunidade. Por isso não veem a hora de reencontrar a vila”, afirma a assistente social Juliana Barreto, que desde de 2017 faz um trabalho diário com as 119 famílias envolvidas com o projeto de Cantagalo.

MAIS MORADIA – Atualmente estão em construção 1.960 casas em municípios de todas as regiões do Estado, além de outras 1.583 unidades em processo de licitação em diferentes estágios, o que soma 3.543 moradias. Há, ainda, 1.017 nos trâmites de contratação.

A expectativa da Cohapar é alcançar 30 mil unidades até o final de 2022, totalmente adequadas às diferentes realidades das famílias paranaenses, o que vai ajudar a conter um déficit de 400 mil moradias urbanas.

Além disso, Lange explica que as obras são importantes para ajudar na retomada econômica do Paraná no pós-pandemia de coronavírus. Segundo ele, uma unidade habitacional gera 2,56 empregos diretos e indiretos na cadeia da construção civil.

Fonte: AENPR