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Sítio de pedra lascada é encontrado em Prudentópolis

12 de julho de 2021 às 17:00
Marcado pela intensa ocupação dos povos Kaingang até o século XIX, em janeiro de 2021 os pesquisadores estiveram na região onde sítios arqueológicos registrados revelam a presença da cultura material conhecida como Tradição Itararé-Taquara.

A equipe da Espaço Arqueologia esteve na cidade de Prudentópolis, a 200km de Curitiba, para as atividades de pesquisa arqueológica nas áreas de instalação de 33 torres que formarão o arranjo da Linha de Transmissão de Energia da PCH Dois Saltos – SE Prudentópolis.

Marcado pela intensa ocupação dos povos Kaingang até o século XIX, em janeiro de 2021 os pesquisadores estiveram na região onde sítios arqueológicos registrados revelam a presença da cultura material conhecida como Tradição Itararé-Taquara.

Muito antes da chegada dos primeiros colonos europeus ao centro-oeste do Paraná, esses grupos, pertencentes ao tronco linguístico Jê, já tinham se estabelecido no Planalto paranaense com seus “buracos de bugre”, estruturas subterrâneas típicas desta tradição, além de aldeias a céu aberto contendo fragmentos cerâmicos e os abrigos com pinturas e gravuras rupestres.

Há registros, também, da ocupação de caçadores-coletores e Guaranis.Neste cenário, durante as atividades do programa de avaliação de impacto ao patrimônio arqueológico na área da futura LT (Linha de Transmissão), a equipe identificou um sítio arqueológico inédito, nomeado o Rio dos Patos 1 – referência ao curso d’água de mesmo nome próximo ao local.

Como a implantação de uma obra desse porte requer intervenções no solo, subsolo e na vegetação, consideradas atividades potencialmente causadoras de impactos ao meio ambiente, foi necessário submeter o local ao adequado tratamento para garantir a salvaguarda do patrimônio arqueológico ali presente.

Até o momento, é possível afirmar que temos um sítio arqueológico pré-colonial lítico a céu aberto, com artefatos dispersos na superfície.

Foram identificadas lascas, núcleos, instrumentos bifaciais e fragmentos, lapidado em diferentes matérias-primas: basalto, arenito e calcedônia.

Os resultados da pesquisa estão em fase de sistematização para envio ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), órgão avaliador responsável.

Após a análise do relatório, é esperado que a próxima etapa seja a escavação arqueológica, que possibilitará a retirada do material e análise em laboratório para análises mais aprofundadas.

Este estudo certamente contribuirá para que se entenda um pouco mais sobre a ocupação humana na região.