Sexta-feira, 03 de Julho de 2026

HomeEconomia Entre PáginasEntretenimentoEsportesGeralObituárioPolíciaPolíticaSaúdeTV Nossa Gente
Economia Entre PáginasEntretenimentoEsportesGeralObituárioPolíciaPolíticaSaúdeTV Nossa Gente
Geral

Família ponta-grossense viaja o mundo levando conscientização sobre o autismo

13 de outubro de 2021 às 14:55

Publicidade
Família ponta-grossense viaja o mundo levando conscientização sobre o autismo
Family on Board
São 25 países visitados em continentes diferentes. Essa é a marca da pequena Summer, de apenas cinco anos. Ela é filha do paulista Marcel Stefanini e da paranaense Violet Shibuta e irmã do Stefan, de apenas um ano.

Summer foi diagnosticada com autismo em 2018 e, desde então, a família mudou o foco das viagens e passou também a conhecer como a condição é tratada ao redor do mundo. As aventuras e novas experiências são registradas nas redes sociais do projeto Family on Board.

O projeto tem com o objetivo levar conscientização e mostrar que, quando recebem o acompanhamento adequado desde cedo, autistas também podem levar uma vida típica.

As postagens que antes se concentravam nas dicas para os pais viajarem com crianças, aos poucos passaram a unir os dois temas. A necessidade de levar informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ficou clara quando Violet e Marcel se mudaram para Utah, nos Estados Unidos, para que a Summer pudesse ter acesso ao tratamento adequado.

Uma pequena viajante

A primeira viagem de Summer foi aos oito meses e Violet garante que isso foi decisivo para o desenvolvimento da criança. “Hoje a gente percebe o quão importante foi essa loucura de ter começado a viajar com ela desde bebê. O quanto foi bom estar em tantos lugares e no meio de tantas pessoas para que ela se acostumasse com o barulho, a esperar a vez dela e a lidar com mudanças de ambiente”, enfatiza. Ao contrário do que é comum em autistas, Summer não tem problemas com luz, com pessoas estranhas ao redor dela, com toque ou com barulho. Para a mãe, ao menos parte disso foi treinado durante viagens e passeios no exterior. Violet destaca que o fato de ter uma autista na família às vezes impôs desafios extras mas nunca foram empecilhos para viajarem. “No geral, a Summer é uma criança muito fácil de lidar, o mais difícil é controlar a ansiedade. Se eu falar para ela que a gente vai
viajar, ela acha que é naquele exato momento”, conta. “Teve uma vez em que eu perguntei se ela queria ir para o Brasil visitar os avós [que ainda moram no país] e no mesmo instante a Summer pegou a mochila e foi entrando no carro achando que já estávamos indo para o aeroporto”, diverte-se. A lição foi aprendida e agora a mãe só
revela que haverá uma viagem quando está tudo pronto para o embarque. Entretanto, Violet admite que as viagens da família não são feitas apenas de alegrias,
brincadeiras e diversão. “Toda vez que a Summer está com fome ou sono são
momentos difíceis, mas isso é algo que todos os pais já conhecem muito bem”,
reconhece aos risos.

Uma notícia difícil

“Eu fiquei sem chão. Passei uns quatro dias chorando e questionando Deus. Eu me perguntava ‘Por que comigo?’, ‘Eu fiz alguma coisa errada?’ e me sentia culpada”, conta Violet sobre como se sentiu quando percebeu que a filha tinha autismo. A confirmação veio através de um médico especialista quando Summer tinha apenas dois anos de idade, mas antes mesmo a mãe já tinha certeza da condição ao perceber que a menina não estava se desenvolvendo conforme o esperado. “Percebi que ela ainda não apontava quando queria alguma coisa, não olhava quando a gente chamava o nome dela. Mas o principal gatilho, o que me fez pesquisar e ir atrás de mais informações, foi que ela ainda não falava”, enumera. Violet lembra que entrou em choque e, como era a primeira filha, tentou encontrar
outras explicações. “No começo eu tentei me enganar, repetia para mim mesma que a Summer ainda não falava porque a gente viajava demais e eram muitas línguas diferentes, o que não é verdade”, relembra. “Desde bebê ela já dava vários sinais de autismo. Com tudo o que eu sei hoje, com certeza eu teria percebido muito antes”, reconhece.

Para Violet, medo e insegurança resumem essa fase de descoberta da condição da filha. Ela ressalta que essa mistura de sentimentos veio da falta de informação. “Eu só conhecia os casos severos de autismo e não sabia que a Summer poderia ter uma vida típica se recebesse o tratamento e acompanhamento adequados. Achava que ela nunca ia me chamar de mãe, que não ia ter nenhum tipo de convívio social”, exemplifica. A mãe ressalta que a Associação Americana de Psiquiatria utiliza o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA) para reforçar que a condição pode variar quanto à intensidade dos sintomas de indivíduo para indivíduo.

Levando informação

A falta de informações claras e confiáveis durante a descoberta do autismo da Summer e perceber como viajar foi importante para o desenvolvimento da criança foi o empurrão que faltava para que o Family on Board começasse a falar sobre autismo nas redes sociais. “Quando recebi o diagnóstico da Summer, eu me senti muito sozinha e
desamparada. Eu não conhecia outros casos de autismo e não sabia muito bem onde me informar sobre o assunto. Procurei várias pessoas e pouquíssimas me deram direção. Por isso, falo abertamente sobre essa condição e procuro responder todos os que me procuram”, diz.

Além de desmistificar o autismo para que o assunto seja encarado com mais naturalidade, o perfil também traz algumas dicas de atividades que ajudam no desenvolvimento da Summer. Entretanto, Violet ressalta que cada caso é único e que exige acompanhamento médico. “Eu mostro alguns exercícios que a Summer faz na terapia que auxiliam na fala e na coordenação motora. Isso é o que está funcionando para o caso dela e pode ajudar outros pais que possuem filhos autistas, mas de maneira alguma substituiu o trabalho de especialistas”, alerta.

Ela ressalta que o mais importante é o diagnóstico precoce. “Eu tento mostrar para as pessoas que não precisa ter aquele medo inicial do autismo, como eu tive. Se a criança receber o tratamento adequado desde pequena a possibilidade de levar uma vida típica é muito grande”, enfatiza.

Livre de preconceito

De acordo com Violet, ainda existe muito estigma e preconceito em relação ao autismo. “A Summer, felizmente, nunca sofreu nada diretamente, os comentários sempre foram mais relacionados a mim. Algumas pessoas falavam que eu tinha vergonha da minha filha e que tinha vindo escondê-la nos Estados Unidos”, lamenta.

Ela lembra ainda que muitas vezes isso está relacionado ao despreparo para lidar com a condição. “Quando nós ainda morávamos no Brasil, uma escola muito conceituada me ligava com frequência para saber se eu já havia decidido onde matricular a Summer. Depois que eu contei que estávamos aguardando a confirmação do
diagnóstico de autismo, não me procuraram mais”, relata.

Para a mãe, disseminar informações sobre o autismo ajuda a quebrar barreiras para que as pessoas que possuem esta condição sejam incluídas na sociedade. “O nosso objetivo com o Family on Board é levar conscientização e informação para quem não conhece, para que outros pais não precisem passar por tudo aquilo que passei e
saibam que eles não estão sozinhos”, enfatiza.

Autismo em diversos lugares do mundo

Durantes as viagens, a família mostra como o autista é tratado em outros países e visita instituições que cuidam de pessoas com essa condição. “Na Costa Rica há pouco suporte do poder público e umas das poucas instituições que existem no país, umadelas foi criada pela mãe de uma criança autista. Eles acolhem autistas, geralmente adultos e casos severos, que foram abandonados pela família e todo o trabalho realizado lá é voluntário. Foi algo que nos sensibilizou bastante”, destaca.

Violet acrescenta que também existem bons exemplos e locais que oferecem ampla infraestrutura e cuidado. “Na Coréia do Sul e na China existem clínicas maravilhosas, mas é preciso bancar tudo do próprio bolso. Na Irlanda já existe alguma ajuda do governo, mas não se compara aos Estados Unidos onde o seguro cobre várias horas de
terapia”, relata.

O Brasil já deu passos gigantescos nesse sentido, avalia Violet, com iniciativas que merecem ser valorizadas. “Nós estivemos com a Summer no Beto Carreiro World e o suporte que recebemos dos funcionários foi algo fantástico. Nós avisamos que ela é autista e, com isso, não era preciso aguardar nas filas, por exemplo”, comenta, acrescentando que são iniciativas simples, mas que fazem a diferença.

Desenvolvimento constante

Para Violet, observar o progresso da filha é o mais gratificante. “A Summer sempre foi muito brincalhona e muito engraçada, cada vez mais ela se expressa, fala o quer einterage com a gente. Ela faz brincadeiras e fica esperando que a gente ria com ela”, conta sem esconder o orgulho. Ela enfatiza que esse desenvolvimento foi conquistado
com muito esforço, empenho e dedicação.

O mais emocionante, segundo a mãe, é o relacionamento da Summer com o irmão mais novo. “Eu não sabia muito bem como ela iria reagir com a chegada do Stefan e ver o cuidado, o carinho e como ela ajuda a cuidar dele é muito fofo”, derrete-se.

Violet admite que, apesar sempre ter desejado uma família grande, adiou a segunda gravidez para poder dedicar mais tempo à Summer. “Acho que isso fez muitadiferença. Ela estava com quatro anos quando o irmão nasceu, então conseguiu lidarcom pouquinho melhor com a chegada de um bebê na família”, destaca.

Escola de vida

A família garante que aprende com a menina todos os dias e principalmente a olhar o autismo com olhos diferentes. “A criança autista apenas vai aprender de forma diferente, o cérebro dela processa as coisas de outro jeito. A Summer não faz algumas  coisas que outras crianças da idade dela fazem, em compensação, aos três anos já sabia contar e soletrar o nome de todas as cores”, recorda.

A mãe acrescenta que cada vitória é muito festejada na família. “O autismo me ensinou a dar valor aos detalhes. Como a gente batalhou para ela falar a primeira palavrinha, aprender a apontar e a se comunicar com as outras pessoas. Coisas que, no geral, são tão naturais e tão corriqueiras”, enfatiza. “A Summer é uma criança super feliz, super alegre, super brincalhona, que ama abraçar e ama viajar”, comemora.

(Reportagem: Assessoria)
Publicidade

Curtiu? Compartilhe!

WhatsAppFacebookX

Leia também

Hospital Sagrado Coração de Jesus realiza Feijoada Solidária no dia 11 de julho

Geral

Hospital Sagrado Coração de Jesus realiza Feijoada Solidária no dia 11 de julho

2 de julho de 2026 às 08:49

Maquete de Rio Bonito do Iguaçu é entregue à Sala das Promessas do Santuário Nacional de Aparecida em gesto de gratidão

Geral

Maquete de Rio Bonito do Iguaçu é entregue à Sala das Promessas do Santuário Nacional de Aparecida em gesto de gratidão

2 de julho de 2026 às 05:34

Agepar publica edital de concurso público: são 23 vagas em diversas áreas

Geral

Agepar publica edital de concurso público: são 23 vagas em diversas áreas

2 de julho de 2026 às 05:26

Mais Lidas
Estado libera R$ 202,1 milhões para consultas, exames e serviços de saúde em todos os municípios
1

Estado libera R$ 202,1 milhões para consultas, exames e serviços de saúde em todos os municípios

Líder da Série Prata, Cândido Futsal anuncia Matheus Rocha, atleta com passagens pela Liga Nacional e competições de elite do futsal brasileiro
2

Líder da Série Prata, Cândido Futsal anuncia Matheus Rocha, atleta com passagens pela Liga Nacional e competições de elite do futsal brasileiro

Bombeiros do Paraná mantêm busca por sobreviventes na força-tarefa na Venezuela
3

Bombeiros do Paraná mantêm busca por sobreviventes na força-tarefa na Venezuela

APAE de Prudentópolis realizou uma visita à APAE de Lapa com o objetivo de conhecer de perto as ações desenvolvidas pelo setor de Assistência Social,
4

APAE de Prudentópolis realizou uma visita à APAE de Lapa com o objetivo de conhecer de perto as ações desenvolvidas pelo setor de Assistência Social,

Teste 2
5

Teste 2

Prefeito Adelmo fala sobre o andamento das obras da Arena Multiuso. VÍDEO!
6

Prefeito Adelmo fala sobre o andamento das obras da Arena Multiuso. VÍDEO!

Hospital Sagrado Coração de Jesus realiza Feijoada Solidária no dia 11 de julho
7

Hospital Sagrado Coração de Jesus realiza Feijoada Solidária no dia 11 de julho

Faleceu em Prudentópolis aos 97 anos o Sr. Augusto Saviski patriarca da família Saviski
8

Faleceu em Prudentópolis aos 97 anos o Sr. Augusto Saviski patriarca da família Saviski

Notícia Teste Migração Flize - Não excluir
9

Notícia Teste Migração Flize - Não excluir

Membros do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais são diplomados
10

Membros do Conselho Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais são diplomados

Obituário
Faleceu em Prudentópolis aos 97 anos o Sr. Augusto Saviski patriarca da família Saviski

Faleceu em Prudentópolis aos 97 anos o Sr. Augusto Saviski patriarca da família Saviski

É com pesar que a Funerária São João e o Plano UNI PAZ, comunicam o falecimento do Sr. João Domingos Pontarolo, mais conhecido como " Neninho".

É com pesar que a Funerária São João e o Plano UNI PAZ, comunicam o falecimento do Sr. João Domingos Pontarolo, mais conhecido como " Neninho".

É com pesar que a funerária Anjo Gabriel comunica o falecimento da Sra. Irene de Souza Hecht aos 79 anos.

É com pesar que a funerária Anjo Gabriel comunica o falecimento da Sra. Irene de Souza Hecht aos 79 anos.

É com pesar que a funerária São Josafat comunica o falecimento do Sr José Humberto dos Santos aos 49 anos.

É com pesar que a funerária São Josafat comunica o falecimento do Sr José Humberto dos Santos aos 49 anos.

É com pesar que a funerária São Josafat comunica o falecimento da Sra. Maria Joana Prates Penteado aos 90anos.

É com pesar que a funerária São Josafat comunica o falecimento da Sra. Maria Joana Prates Penteado aos 90anos.

Institucional

  • Teste

Categorias

Redes Sociais

Hospedado por CloudFlash

© 2026 Nossa Gente — Todos os direitos reservados