Irmã Nadia Gavanski nasceu no dia 18 de maio de 1943, na localidade de Queimadas, interior do município de Prudentópolis, filha de José Gavanski e Ana Gavanski, tinha sete irmãos. Desde cedo, sua vida foi marcada pela simplicidade, pelo trabalho e por uma fé sólida.
Ingressou na Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada em 12 de fevereiro de 1971. Iniciou o Noviciado em 8 de dezembro de 1971, professou os Primeiros Votos em 8 de dezembro de 1973 e, no dia 2 de fevereiro de 1979, fez sua Profissão Perpétua, sendo a Superiora Geral Irmã Maria Korchagin e a Superiora Provincial Irmã Teresa Kito.
Irmã Nadia entrou para a vida religiosa já com mais idade e, por isso, enfrentava dificuldades para acompanhar e compreender alguns conteúdos da formação.
No entanto, sua perseverança comovia profundamente. Com humildade e confiança, dizia com simplicidade: “Por favor, mestra, não me mande embora, que eu ainda vou aprender.
Nossa Senhora vai me ajudar.” Essa frase revela bem sua alma: humilde, confiante e profundamente mariana. Amava sua vocação, respeitava a vocação das irmãs e jamais desistia diante das limitações.
As irmãs que conviveram com ela testemunham sua simplicidade, simpatia e espírito de doação e serviço.
Era alegre, dócil, humilde, trabalhadeira e piedosa. Mulher de muita fé e oração, confiava inteiramente na Providência Divina e era grata pela vocação que havia recebido.
Sua vida não foi marcada por grandes discursos, mas por um testemunho silencioso, coerente e luminoso manifestado no rotineiro cotidiano.
A oração ocupava um lugar central em sua vida. Era, muitas vezes, a primeira a chegar à capela, especialmente nas primeiras horas da manhã.
Após o café, retirava-se para o quarto, onde continuava em oração. Gostava do silêncio, permanecia longos períodos diante do Santíssimo Sacramento e rezava intensamente pelas vocações.
Sua presença na capela era discreta, mas profundamente eloquente. Morando nos últimos anos na casa do noviciado, costumava-se dizer que “o céu se traduzia no azul celeste dos seus olhinhos”, expressão que revelava a profundidade interior de sua vida espiritual.
Sempre atenta às necessidades da comunidade, ajudava com prontidão na cozinha e nos serviços simples do dia a dia. Nunca reclamava das dificuldades.
Forte na fé, aceitava tudo com serenidade e confiança em Deus. Para muitas irmãs, foi verdadeiro exemplo de consagração, doação e espiritualidade.
Ao longo de sua missão, trabalhou nas comunidades de Dorizon, Irati, Linha B, Ivaí, São Pedro, Esperança, Itapará, Marcondes, Marcelinho, Ponte Alta e Prudentópolis. Nos últimos anos, encontrava-se novamente em Ivaí.
Após sofrer um AVC, teve a fala bastante afetada, passando a falar pouco e com tom de voz muito baixo. Ainda assim, seu olhar e suas atitudes continuavam profundamente maternos e acolhedores.
Sua missão sempre se concretizou no serviço silencioso e humilde: o preparo das refeições, o cuidado com a horta, com as galinhas e com a rotina diária da casa. Tudo era feito com amor e fidelidade, transformando o ordinário em oblação agradável a Deus.
Mesmo com as limitações após o AVC, manteve-se fiel aos seus simples afazeres, que já haviam se tornado parte de uma rotina estável e oferecida.
No dia 21 de fevereiro, após o almoço, ao sair da cozinha para realizar uma de suas tarefas habituais — levar alimento às galinhas —, Irmã Nádia encontrou-se com a maldade humana. Um homem invadiu o espaço e a encontrou exatamente ali, onde ela costumava estar todos os dias.
Foi brutalmente atacada e assassinada, sem que houvesse tempo para qualquer socorro. Uma vida inteiramente dedicada a Deus foi tirada de maneira cruel e injusta.
Uma tragédia que revela a decadência humana e a ação do mal no mundo por meio das pessoas.
Esse crime causou profunda comoção não apenas na Congregação e na cidade local, mas também repercutiu amplamente nas mídias e nas redes sociais.
Diversos canais de imprensa noticiaram essa barbaridade, despertando indignação, dor e reflexão em muitas pessoas. A simplicidade da vida de Irmã Nádia contrastou fortemente com a violência do ato que a vitimou, tornando ainda mais eloquente seu testemunho.
À luz da fé, cremos firmemente que, em sua bondade e misericórdia, Deus acolheu Irmã Nadia e sua entrega heroica como oferenda de suave odor.
Sua morte, diante de quem ela era e de como viveu, reveste-se de um caráter de martírio, expressão última de uma vida inteiramente consagrada ao Senhor.
Que o Bom Mestre recompense nossa querida Irmã Nadia por todo o seu serviço, por sua alegria, simplicidade, humildade e por todo o bem que passou por suas mãos.
Que sua vida continue a interceder pelas vocações e a inspirar fidelidade no cotidiano. Вічная Пам’ять!