Major da Polícia Militar do Paraná é preso em operação do Gaeco por cobrar propina de empresas
24 de setembro de 2025 às 06:35
O major da Polícia Militar do Paraná Alexandro Marcolino Gomes voltou a ser preso preventivamente nesta terça-feira (23) em uma ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR).
Além da prisão, foram determinadas medidas que incluem o bloqueio de contas, veículos e imóveis avaliados em mais de R$ 344 mil. A ação faz parte da Operação Transparência, desdobramento da Operação Zero Um.
De acordo com o Portal da Transparência do Governo do Estado, o oficial recebe uma remuneração mensal bruta de R$ 31.580,75. Entre dezembro de 2024 e agosto de 2025, o servidor recebeu vencimentos que somam mais de R$ 329 mil.
De acordo com o MP, o oficial, que chefia a 3ª Companhia Independente da PM em Loanda, é acusado de usar a posição de comandante para exigir e receber propinas de empresas que mantinham contratos de prestação de serviços com a corporação.
O Gaeco afima que as investigações tiveram início em setembro de 2024, a partir de notícias de suspeitas envolvendo o comandante e outros policiais da corporação.
Conforme apurado, o major operava um esquema sistemático de propinas em troca de contratos ou concessão de serviços à Polícia Militar.
O major chegou a ser preso no início das investigações e passou a cumprir prisão domiciliar, como mostrou a Banda B à época. No entanto, foi novamente preso preventivamente. Ele já foi denunciado pelo MPPR pelo crime de cobrança de propina.
Alguns dos crimes investigados envolvem o 3º Torneio de Pesca da companhia, onde foi cobrada de uma empresa fornecedora de camisetas parte do valor arrecadado com vendas como se fosse uma contribuição para benfeitorias nas dependências da corporação. Em outras ocasiões, contratos de prestação de serviço foram condicionados ao repasse de valores ao major.
“Na denúncia, oferecida no dia 10 de setembro e recebida pelo Juízo no último dia 15, o Gaeco aponta a ocorrência de dez fatos relacionados a cobranças de valores feitas a representantes de pessoas jurídicas que mantinham contratos de prestação de serviços com a Companhia”, disse o MP.
A Polícia Militar do Paraná afirmou à Banda B que não vai se manifestar sobre a prisão do major. O que diz a defesa?
A reportagem também procurou a defesa do major para comentar sobre a prisão. Leia a nota na íntegra: “A defesa do Major Alexandro Marcolino, por meio da presente nota, vem a público reafirmar seu compromisso com a verdade, com a legalidade e com a preservação das garantias fundamentais asseguradas pela Constituição da República.
A prisão cautelar decretada contra o Major Alexandro Marcolino mostra-se medida desproporcional e inadequada ao atual estágio processual, representando afronta ao princípio da presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF/88), garantia que constitui um dos pilares do Estado Democrático de Direito.
É imprescindível destacar que a prisão preventiva não pode ser utilizada como antecipação de pena ou como instrumento de coação. Sua aplicação somente se legitima em hipóteses de comprovada necessidade, devidamente fundamentadas, o que não se verifica no caso em tela.
Cumpre ainda ressaltar que o Major Alexandro Marcolino, ao longo dos 26 anos de sua carreira, sempre pautou sua conduta pela disciplina, pelo respeito à lei e pela dedicação ao serviço público.
A decisão que lhe impôs a custódia cautelar gera reflexos não apenas em sua vida pessoal, mas também em sua família, que atualmente enfrenta sérias dificuldades com sua ausência, agravando o sofrimento de seus entes queridos diante de uma medida que não encontra amparo na proporcionalidade exigida pela ordem jurídica.
A defesa manifesta sua confiança nas instituições de Justiça, convicta de que a análise serena e técnica dos fatos conduzirá à revisão desta decisão, restabelecendo-se a liberdade do Major Alexandro Marcolino e reafirmando-se o compromisso da sociedade com os valores constitucionais.
Reiteramos, por fim, que não se busca privilégio, mas apenas a observância estrita da lei, de modo que o processo siga seu curso natural, sem que se imponha ao acusado uma punição prematura e descabida.
A defesa seguirá vigilante e firme, atuando para que a legalidade prevaleça e para que os direitos do Major Alexandro Marcolino sejam integralmente respeitados.”