21 de setembro de 2026 às 09:56

Com novas regras de IBS e CBS começando a chegar às empresas, candidato ao Senado afirma que transição exigirá acompanhamento para preservar competitividade do setor
O peso alcançado pelo cooperativismo na economia do Paraná deve se refletir também na representação do Estado em Brasília.
Essa é a posição defendida pelo candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos), que pretende colocar o acompanhamento da reforma tributária entre as prioridades do mandato e atuar como interlocutor das cooperativas paranaenses durante a transição para o novo sistema.
O momento é considerado decisivo porque a reforma começa a sair definitivamente do campo das discussões legislativas para entrar na rotina das empresas e cooperativas. Em 2026, teve início a fase de testes da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A substituição dos atuais tributos será gradual, com conclusão prevista para 2033.
“Um dos primeiros atos é me aprofundar nessa questão da reforma tributária. Nós temos que ouvir as cooperativas, o setor produtivo e o comércio”, afirmou Curi.
Para o candidato, a dimensão do cooperativismo paranaense justifica uma atuação específica da bancada do Estado. O Paraná concentra algumas das maiores cooperativas do país e possui um modelo no qual essas organizações têm papel relevante na produção agropecuária, industrialização, geração de empregos e desenvolvimento econômico dos municípios do interior.
Durante sabatina à TMC, Curi destacou essa presença. “Das dez maiores cooperativas da América Latina, seis estão aqui no Paraná”, afirmou.
Parte das garantias reivindicadas pelo cooperativismo foi incorporada à regulamentação da reforma. A Lei Complementar 214/2025 criou um regime específico para as sociedades cooperativas e estabeleceu, entre outras medidas, a possibilidade de redução a zero das alíquotas de IBS e CBS em determinadas operações previstas pela legislação.
O desafio agora está na aplicação dessas regras.
Neste mês, a Receita Federal abriu o período para que as cooperativas formalizem a opção pelo regime específico. O prazo vai até 31 de outubro de 2026 e a escolha produzirá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
A decisão exige análise porque o novo modelo interfere em diferentes etapas das operações das cooperativas. Entre os temas acompanhados pelo setor estão a apropriação e transferência de créditos tributários, as operações entre cooperativas e associados e o tratamento dado aos negócios realizados com não associados.
Nas cooperativas agropecuárias, a discussão ganha importância adicional pela extensão das cadeias produtivas. Uma mesma produção pode passar pelo cooperado, pela cooperativa, por processos de industrialização e, posteriormente, pela comercialização.
A maneira como créditos e débitos de IBS e CBS serão apropriados em cada etapa pode produzir efeitos diferentes conforme a estrutura de cada operação.
A própria regulamentação prevê mecanismos específicos, como a transferência de créditos dos cooperados para as cooperativas. Por outro lado, nem todas as operações estão submetidas ao mesmo tratamento, o que faz com que o setor acompanhe os efeitos concretos do novo modelo.
Para Curi, é justamente nessa etapa que a atuação política ganha importância. Embora a estrutura central da reforma já tenha sido aprovada, o período de transição permitirá identificar problemas que não eram necessariamente visíveis durante a elaboração da legislação.
“A primeira conversa que eu tive com as cooperativas e o setor produtivo mostra que nós precisamos aprofundar esse debate”, afirmou.
A proposta de Curi é manter interlocução com cooperativas, produtores, empresas e entidades representativas para identificar eventuais distorções e levar ao Congresso demandas por ajustes na legislação.
Segundo ele, essa atuação deve considerar as características próprias da economia paranaense, especialmente a importância do agronegócio, da agroindústria e do modelo cooperativista.
“Eu vou ser um senador que vota ao lado do setor produtivo e das cooperativas, defendendo elas nessa reforma tributária”, afirmou.
A reforma tributária deverá permanecer na agenda do Congresso durante praticamente todo o próximo mandato dos senadores eleitos em 2026.
Embora a mudança tenha sido aprovada e regulamentada, a substituição dos tributos antigos pelo IBS e pela CBS ocorrerá progressivamente. Isso significa que empresas, produtores e cooperativas conviverão durante anos com a adaptação de sistemas, novas formas de aproveitamento de créditos e mudanças na tributação das cadeias produtivas.
Curi afirma que pretende acompanhar esse processo a partir das experiências concretas das cooperativas paranaenses.
“Nós temos que ouvir as cooperativas, o setor produtivo, o comércio, para que a gente possa entrar nesse debate”, disse.
Para o candidato, a função da representação paranaense no Senado durante essa etapa será transformar os problemas identificados no dia a dia do setor em propostas de aperfeiçoamento do novo sistema.
Com a reforma começando a produzir efeitos concretos, a discussão deixa de ser apenas sobre quais regras estarão na lei. Para um Estado no qual o cooperativismo tem participação expressiva na economia, passa a ser também sobre como essas regras funcionarão na prática e quais correções poderão ser necessárias ao longo da transição.
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