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Polícia indicia por feminicídio marido de advogada que caiu do 4º andar de prédio em Guarapuava

31 de julho de 2018 às 21:30
Tatiane Spitzner, de 29 anos, morreu no domingo (22); Luis Felipe Manvailer está preso. Defesa da família anexa mensagens de celular: 'Ódio mortal de mim'.

Foto: Reprodução Redes Sociais

A Polícia Civil indiciou no fim da tarde desta terça-feira (31) por feminicídio Luis Felipe Manvailer, de 32 anos, marido da advogada Tatiane Spitzner, de 29 anos, que caiu do 4º andar do prédio em que morava em Guarapuava, na região central do Paraná, no domingo (22).

De acordo com o delegado Bruno Miranda Maciozeki, o indiciamento foi por homicídio qualificado, motivo torpe, uso de meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima e condição do sexo feminino.

“[Ele] retirou o corpo do local e apagou as manchas e marcas de sangue existentes no hall do edifício com evidente intuito de induzir ao erro os peritos e o juiz”, afirma o delegado.

O marido nega as acusações. Ele foi preso no mesmo dia da morte da mulher após sofrer um acidente na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava.

Agora, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) vai analisar se oferece denúncia à Justiça.

Segundo o delegado, Manvailer também foi indiciado pelo furto do carro da vítima por ter utilizado para viajar sentido fronteira com o Paraguai.

Em nota, a defesa de Luís Felipe informou que “não irá comentar as declarações da autoridade policial em coletiva de imprensa, realizada no final da tarde desta terça, pois não teve acesso nem ao relatório final do inquérito e nem às declarações dadas sobre o assunto”.

‘Agressões brutais’

Maciozeki contou que imagens do circuito interno de monitoramento do prédio – que não foram divulgadas – mostram “agressões brutais, cruéis contra a vítima” na garagem antes da queda.

Segundo ele, havia marcas “evidentes” no pescoço da vítima que são indicativo de esganadura. O laudo de necropsia ainda não foi concluído pelo Instituto Médico-Legal (IML).

O delegado também explicou que consta na conclusão do inquérito que há diligências pendentes, como análises nos telefones celulares do casal e laudo de necropsia. “Importante asseverar que o MP está ciente desta dificuldade e maior tempo para o IML”, afirmou.

Outro laudo que ainda não foi concluído é o da dinâmica da queda, realizado na sexta-feira (27).

Mensagens de celular

A defesa da família da advogada anexou nesta terça-feira conversas por WhatsApp de Tatiane com uma amiga falando sobre a relação com o marido.

Nas mensagens, entre março e junho deste ano, ela relata sentir “medo” e diz que Manvailer tem “ódio mortal” por ela.

Os trechos, segundo a defesa da família, fazem parte do pedido de manutenção da prisão preventiva do marido.

“(…) a hipótese de sua liberdade durante as investigações ou a colheita judicial da prova gera temor em familiares de Tatiane possivelmente em testemunhas do caso, restando evidenciada a necessidade de manutenção da sua prisão”, diz trecho do pedido.

A defesa do marido preferiu não se manifestar sobre as mensagens.

Veja trechos das conversas:

Tatiane: Nem conversamos estamos

Tatiane: Sim

Tatiane: Que situação

Tatiane: E hj estou aberta

Tatiane: Só tomando pancada

Amiga: Manda esse cara ir embora amiga

Tatiane: N consigo bloquear

Tatiane: Estou com medo amiga

Tatiane: Estou acabada, amiga, tive uma conversa feia com o Luis Felipe ontem, só me falta coragem pra encarar um divórcio

Tatiane: Grosseiro, estúpido, falou que tem ódio mortal de mim, que não sabe quando vai passar essa raiva, q não quer nem falar comigo

Tatiane: Só me critica, qualquer coisa que eu abra a boca ele é contra

Tatiane: Me corta

Tatiane: Tá péssimo

Tatiane: Sabe quando vc vê que a pessoa te odeia

Fonte: G1PR